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Fintechs brasileiras captaram US$ 2,8 bi em 2025, volume próximo a 2021 + IPO da Anthropic

E mais: interesse da Gen Z em cripto

Bom dia!

Vem ler o que está acontecendo de mais relevante em tech e inovação.

O que você vai ver hoje:

  • Inadimplência em bancos digitais no Brasil cresce 163% em 4 anos

  • Fintechs brasileiras captaram US$ 2,8 bi em 2025, volume próximo a 2021

  • Anthropic protocola pedido de IPO depois de ultrapassar valuation da OpenAI

  • Lições de um exit, com Carlos Gamboa, sobre a aquisição da goLiza pela Laqus

  • Na Geração Z que ainda não investe em cripto, +50% pretende investir

BRASIL

INADIMPLÊNCIA EM BANCOS DIGITAIS CRESCE 163% EM QUATRO ANOS

A inadimplência em cartões emitidos por bancos digitais saltou de 7,7% para 20,3% entre 2021 e 2025, um avanço de 163%, segundo estudo da Equifax Boa Vista baseado em dados de mais de 165 milhões de CPFs.

→ Hoje, cerca de 1 em cada 5 clientes de neobancos está inadimplente
→ Nos bancos tradicionais, a taxa caiu de 14,6% para 13,6% no mesmo período
→ Base de clientes dos bancos digitais cresceu apenas 15%, enquanto a inadimplência disparou

  • O estudo mostra que os neobancos se tornaram a principal porta de entrada para o crédito. Eles já atendem 61 milhões de pessoas com cartão de crédito, contra 48 milhões dos bancos tradicionais.

  • A estratégia tem sido usar o cartão como produto inicial para conhecer o comportamento do cliente e expandir a oferta de crédito. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos pelos bancos digitais eram o primeiro cartão do consumidor, ante apenas 5% nos bancos tradicionais.

O avanço foi especialmente forte entre consumidores de menor renda. Entre pessoas com renda de até um salário mínimo, a inadimplência no cartão passou de 9,5% para 33% entre 2021 e 2025.

FINTECHS BRASILEIRAS CAPTAM US$ 2,8 BI, MAS CAPITAL SE CONCENTRA EM POUCAS EMPRESAS

As fintechs brasileiras captaram US$ 2,77 bilhões em 2025, volume semelhante ao de 2021. A diferença é que o número de rodadas caiu de 244 para 106, mostrando um mercado mais concentrado e seletivo, segundo levantamento da Sling Hub e Torq.

→ Capital ficou concentrado em startups mais maduras e operações maiores
→ Quatro das cinco maiores rodadas do Sudeste foram estruturadas via FIDC
→ Fintechs passaram a recorrer mais a dívida e recebíveis do que a equity tradicional, preservando o quadro societário

  • A CloudWalk liderou o ranking com duas captações via FIDC que somaram mais de US$ 1,3 bilhão, quase metade de tudo que o setor captou no ano. Creditas e Pravaler também aparecem entre as maiores operações.

O Sudeste concentrou US$ 2,44 bilhões e 91 das 106 rodadas, mas uma surpresa veio do Nordeste: com apenas quatro operações, a região captou US$ 265 milhões, impulsionada pela sergipana iCred, responsável por quase todo o volume regional.

O que mais aconteceu?

DADO DA SEMANA
conteúdo com MB Mercado Bitcoin

PANORAMA DO INVESTIDOR BRASILEIRO EM ATIVOS DIGITAIS

Entre os jovens da Gen Z que ainda não entraram em cripto, mais da metade pretende investir no futuro.

→ Dos investidores de 18 a 29 anos que nunca investiram em criptomoedas, 52% afirmam ter interesse em entrar no mercado. O percentual permanece elevado também entre investidores de 30 a 49 anos (44%) e acima de 50 anos (41%).

→ O dado sugere que a próxima onda de crescimento do mercado cripto pode vir menos da conversão de investidores tradicionais e mais da entrada gradual de novas gerações no mercado financeiro.

  • A Geração Z cresceu em um mundo onde dinheiro, consumo, entretenimento e identidade já são nativamente digitais. Nesse contexto, ativos digitais tendem a parecer uma extensão natural da experiência financeira pra esse público.

→ Outro ponto interessante é que a taxa de saída do mercado é relativamente semelhante entre as gerações. Entre 22% e 24% dos entrevistados afirmam já ter investido em cripto, mas não investem mais atualmente.

→ Ou seja: a adoção já avançou, mas o interesse continua maior do que a participação efetiva no mercado.

Fonte: Mercado Bitcoin + Opinion Box, com 1.009 investidores brasileiros entrevistados em abril de 2026.

IA E MUNDO

ANTHROPIC PROTOCOLA PEDIDO DE IPO APÓS ATINGIR VALUATION DE US$ 965 BI

A Anthropic protocolou de forma confidencial seu pedido de IPO nos Estados Unidos, em um movimento que pode levar a empresa à bolsa ainda no quarto trimestre de 2026.

→ Empresa acaba de levantar US$ 65 bilhões em uma rodada que a avaliou em US$ 965 bilhões
→ É a primeira vez que a Anthropic supera a OpenAI em valuation (US$ 852 bi)
→ Receita anualizada chegou a US$ 47 bilhões, ante US$ 9 bilhões no fim de 2025
→ A OpenAI também é apontada como candidata a realizar um IPO nos próximos meses

  • O protocolo do formulário S-1 junto à SEC é uma das etapas finais antes da abertura de capital.

  • O movimento acontece em um momento de crescimento explosivo para a empresa, mas também de questionamentos crescentes sobre o retorno dos investimentos corporativos em IA.

Zoom-out: Uma pesquisa da Bain com quase 1.000 empresas mostrou que 40% delas obtiveram economia inferior a 10% após adotar IA. Como clientes corporativos são a principal fonte de receita da Anthropic, investidores estarão atentos à capacidade da empresa de sustentar seu crescimento e justificar os custos da tecnologia para seus clientes.

MICHAEL BURRY DIZ QUE NEM ANTHROPIC E NEM SPACEX VALEM + DE US$ 1 TRI

Michael Burry, investidor icônico famoso por prever a crise de 2008 (retratada no excelente filme The Big Short), disse que tem sérias dúvidas sobre os valuations de SpaceX e Anthropic.

→ SpaceX pretende levantar US$ 75 bilhões em seu IPO, vendendo ações a US$ 135 cada. Estreia na bolsa é esperada para 12 de junho e a empresa busca valuation próximo de US$ 2 trilhões.

O prospecto de IPO mostra uma empresa com US$ 18,7 bilhões de receita e US$ 4,9 bilhões de prejuízo no último ano, números que, segundo ele, não sustentam um valuation trilionário.

→ No caso da Anthropic, o investidor argumenta que o desenvolvimento de modelos de IA é um negócio "caro demais" e baseado em uma corrida por capacidade computacional que pode não se sustentar no longo prazo.

→ Sua tese é que processamento de IA tende a se tornar uma commodity, assim como ocorreu com a infraestrutura de internet.

  • Vale lembrar que Burry ficou famoso por prever a crise de 2008, mas acumula diversas previsões pessimistas que não se concretizaram desde então.

O que mais aconteceu?

APORTES, PARCERIAS e M&As BRASIL
  • Laqus (infraestrutura/mercado de capitais): a Laqus, competidora da B3 em infraestrutura de mercado, fechou sua segunda aquisição de 2026 ao comprar integralmente a goLiza, fintech especializada na digitalização e automação de cadastros de fundos, em operação que combina dinheiro e ações.

    → A goLiza, fundada em 2018 pela Fisher Venture Builder e liderada por Sérgio Penna, centraliza dados e automatiza documentos junto à CVM, tornando o onboarding de gestoras mais eficiente. O negócio permite à Laqus atuar desde o cadastro até a liquidação de ativos, reduzindo fricção entre etapas e ampliando sua presença no ciclo de operações.

A ANATOMIA DO EXIT:

Conversamos com Carlos Gamboa, sócio da Fisher Venture Builder, sobre a construção da goLiza e o exit com a Laqus:

“Em 2018, olhando o mercado de crédito privado, percebemos na Fisher que o onboarding de empresas em FIDCs era feito de forma manual com trocas extensas de documentação via e-mail. Isso era agravado pelo fato de que uma mesma empresa tinha que fazer o onboarding com cada fundo que fizesse operações, então o mesmo processo se repetia, por vezes com o mesmo administrador em fundos diferentes.

Isso nos levou a criar a goLiza, visando uma solução em que cada empresa pudesse manter a sua base de informações cadastrais, e trocar de forma sistêmica informações com múltiplas contrapartes (bancos, fundos, outras empresas). Um cadastro, múltiplas conexões.

Em 2021 a Liza evoluiu o foco para o mercado de capitais, em especial esteiras de fundos-de-fundos e corretoras. Reduzimos o tempo de cadastro de novos fundos de 5 dias para 0 dias, sem aumentar nenhum operador, e na verdade tornando toda a esteira mais produtiva.

O mercado de fundos sofreu alterações estruturais, e segmentos que eram promissores ficaram menos atrativos para o produto da Liza.

Em 2025 um fundo investidor da Laqus fez a ponte, e logo na primeira conversa notamos a sinergia bastante clara e potente.

A Laqus vinha de uma jornada crescente na escalada comercial, e tinha em seu roadmap a consolidação das suas bases internas de cadastros, além de evoluir a experiência do cliente para um onboarding e execução de operações mais fluida.

A Liza por sua vez trazia uma grande expertise na gestão e consolidação destes dados, assim como na sua validação e na construção de sistemas com modularidade nativa para criação de esteiras de operação, e um grande foco na segurança de dados e compliance, aliados a uma experiência do cliente já comprovada na operação com grandes bancos.

Em um mês a operação de fusão estava desenhada e aprovada no board da Laqus e com os sócios da Liza. A partir daí criamos um caminho duplo, que garantia o início imediato da implementação da solução única de cadastro e onboarding da Laqus, enquanto os detalhes societários estavam sendo discutidos.

Estamos muito felizes com essa união, e vemos que a integração da Liza posiciona a Laqus para acelerar seu crescimento entregando uma experiência diferenciada para o cliente que origina operações através de sua plataforma.”

  • Pax (IA/segurança pública): sistema de inteligência artificial para ajudar forças policiais a analisar imagens de câmeras e responder perguntas de investigadores como se fosse um assistente digital levantou US$ 40 milhões em rodada seed. O aporte foi co‑liderado por Greenoaks e Benchmark.

  • Uncover (martech/Marketing Mix Modeling): A martech Uncover, plataforma que analisa retorno de investimento em mídia, fundada em 2021 por Daniel e Matheus Guinezi (co-CEOs) e Gilberto Villar, captou R$ 80 milhões em Série A liderada pela Cloud9 Capital, com participação da ABSeed Ventures e Endeavor.

  • Wonderful (IA/assistentes de voz): A startup israelense Wonderful, que cria assistentes de voz corporativos combinando modelos de linguagem e baixa latência, atingiu avaliação de US$ 2 bilhões em apenas um ano. Para financiar a entrada no Brasil e América Latina, recebeu US$ 15 milhões da Kaszek numa extensão de Série B; o aporte soma‑se aos US$ 150 milhões captados com Insight Partners, Index Ventures e Bessemer.

  • Strattum (dados corporativos/IA): startup que orquestra dados corporativos de múltiplos sistemas (ERPs, CRMs, data lakes, planilhas), para criar uma base unificada e permitir o uso eficiente de IA, arrecadou US$ 3,2 milhões em rodada pré-seed co‑liderada pela OneVC e Maya Capital, com participação da Norte Ventures.

  • Vitrify (deeptech/mercado de capitais): Seis meses após receber um cheque de R$ 1 milhão, a Vitrify, plataforma que centraliza e higieniza dados de títulos e documentos do mercado de capitais usando IA, levantou R$ 5 milhões em rodada pré‑seed. Os novos investidores são a SVN e a Plug and Play.

  • Conty (martech/creator economy): A Conty, plataforma que conecta marcas a criadores de conteúdo em campanhas publicitárias, fechou uma rodada pré‑seed (valor não divulgado) com o fundo Entrypoint e anjos como Diego Barreto (iFood), Eagle Trindade, Theo Braga, Ricardo Dias (ex‑Ambev) e Anderson Diehl.

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